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Texto Cordel Dona Chica Ferreira o Sonrisal

Grande parte de meu amor pela leitura se deu ao fato de ler muito cordel em casa de minha tia que era fã desse tipo de texto.
Esse é um Cordel muito engraçado e costuma envolver os alunos...


Dona Chica


Esse fato se passou
Com dona Chica Ferreira
Que mora no pé da serra
No sítio Tamarineira

E nunca vem na cidade
Pois sua grande vaidade
É gostar de ser roceira


Mas ficando adoentada

Resolveu se receitar
Estava mesmo enfadada
Já gemia sem parar
Pegou o misto da feira
Nele seguiu bem ligeira
A fim de se consultar


Me conte,disse o doutor:
Qual é a sua mazela
Dona Chica assim falou:
-É um ardo na guela
Uma imbruição no bucho
O istambo dando repuxo
E um bolo nas custela

-Ainda onteonte eu comi
Um pirãozinho de costela

Baião de dois com piqui
E uma farofa amarela
Um taquim de rapadura
Só se foi essa mistura
Que causou mazela


-Descobri o seu problema
Não precisa assombração
Tá resolvido o dilema
É uma forte indigestão
Entenda por caridade
Voce não tem mais idade
Pra comer osso e pirão

Os remédios escolhidos
Receitou com precisão:
-Tome esses comprimidos
Logo após a refeição
Voce vai ficar curada
E seguir com atenção

Enfadada,mas sem tédio
Chegou em casa,almoçou
E pegando o tal remédio
Dois comprimidos tomou
Mas o bicho sendo enorme
De tamanho desconforme
Na guela não passou

Danou-se a ferver na boca
Dona Chica a sufocar
Esperneava feito louca

Não podia nem falar
Pelo nariz espumava
A garganta se fechava
Só faltava desmaiar

Tão logo recuperou-se
Do triste acontecimento
Dona Chica levantou-se
E ali naquele momento


Gritou alto,ebravejou


Fez até um juramento
E jurou bem na verdade
Depois que passou o mal
-Nunca mais vou na cidade
Te desconjuro animal
O seu remédio moderno
Vá seu doutor pro inferno
Com seu tal Sonrisal!


Josenir Amorim Alves de Lacerda. Dona Chica.

Josenir Amorim Alves de Lacerda, nasceu em Crato (CE) no dia 16 de Janeiro de 1953. Profunda admiradora do folclore, da cultura regional e da poesia popular; tem vários cordéis publicados, entre eles “O matuto e o orelhão” e “O segredo de Marina”, trabalhos que fazem parte do projeto Livro de Graça na Praça – Belo Horizonte (MG);
“O Linguajar Cearense” foi enfocado em livros didáticos de várias editoras. Já publicou mais de trinta cordéis, entre os quais se destacam: “De volta ao Passado”, “A Fábula do Peru”, “O menino que nasceu falando”, “As danação de Julita”, entre outros.É uma das fundadoras de Academia de Cordelistas do Crato, ocupando a cadeira n° 03.

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